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A coletiva de imprensa concedida nesta segunda-feira (9) pelo Governo de Rondônia, por meio da Polícia Civil, trouxe novos detalhes sobre o assassinato da professora e escrivã Juliana de Matos Lima Santiago, mas também reacendeu uma série de questionamentos incômodos — e inevitáveis — sobre segurança, prevenção e a forma como a violência contra mulheres segue sendo tratada no país.
Juliana foi morta de forma cruel e direta, com três golpes de faca, um deles atingindo o coração, no primeiro dia de aula do semestre, um espaço que deveria simbolizar recomeço, aprendizado e proteção. Em vez disso, tornou-se cenário de um homicídio que chocou a sociedade e expôs, mais uma vez, a vulnerabilidade de mulheres mesmo em ambientes institucionais.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito preso em flagrante tentou sustentar a versão de que mantinha um relacionamento com a vítima. A narrativa, no entanto, foi desmontada pela investigação. Testemunhas afirmaram que houve apenas uma tentativa de aproximação por parte do homem, prontamente rejeitada por Juliana. A rejeição, de acordo com a linha investigativa, teria gerado frustração, ciúmes e um comportamento obsessivo, elementos que agora sustentam a principal motivação do crime.
A polícia também foi categórica ao afastar boatos: não há qualquer relação do homicídio com questões acadêmicas, notas ou conflitos profissionais. Ainda assim, o fato de um assassinato dessa magnitude ocorrer dentro de um contexto educacional levanta uma pergunta incômoda: quantos sinais foram ignorados antes que a violência chegasse ao extremo?
O suspeito permanece preso preventivamente após a homologação da prisão em audiência de custódia. O inquérito deve ser concluído em até 10 dias, prazo legal, enquanto novas diligências seguem em andamento. Do ponto de vista técnico, o caso avança. Do ponto de vista social, porém, o sentimento é de atraso.
O assassinato de Juliana não é um episódio isolado — é parte de um padrão alarmante. Mulheres seguem sendo mortas por não corresponderem a expectativas, por dizerem “não”, por exercerem o direito básico de escolher. A tentativa de criar um vínculo inexistente, agora desmentida oficialmente, reforça um velho e perigoso roteiro: o da romantização da obsessão e da dificuldade de aceitar limites.
Enquanto autoridades apresentam dados e prazos, a sociedade cobra algo mais profundo: prevenção real, proteção efetiva e ações que não comecem apenas após a tragédia. Juliana não é apenas mais um nome em um inquérito policial. É o retrato de uma violência que insiste em se repetir — e que já não pode mais ser tratada como exceção.
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Fonte: RO Acontece
