Em meio à crescente revolta popular contra a cobrança de pedágio na BR-364, um fato concreto passou a separar discurso de ação no cenário político de Rondônia. Enquanto grande parte da classe política se limitou a vídeos, postagens e notas públicas nas redes sociais, apenas um parlamentar tomou a iniciativa que efetivamente pode barrar a cobrança: o deputado estadual Delegado Camargo.
Nesta semana, Camargo ingressou formalmente na Justiça Federal como assistente na Ação Civil Pública que pede a suspensão imediata do pedágio. O processo tramita na 2ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Rondônia e foi proposto pela APROSOJA-RO e pela ABIOVE, entidades que representam setores estratégicos da economia estadual e que levaram ao Judiciário questionamentos sobre a legalidade da cobrança.
Ao protocolar seu ingresso no processo, Delegado Camargo deixou claro que sua atuação vai além da retórica política.
“Eu não fui eleito para ficar calado enquanto o cidadão é massacrado. Fui eleito para agir. Se ninguém mais tem coragem de peitar esse sistema, eu tenho, assim como fui o único a votar contra o aumento de imposto estadual. E vou até o fim”, declarou o parlamentar.
O que a ação judicial revela
A Ação Civil Pública, agora reforçada com o ingresso do deputado, aponta irregularidades graves no início da cobrança do pedágio, iniciado em 10 de janeiro. Conforme os documentos apresentados à Justiça, o contrato de concessão teria sido descumprido em pontos essenciais, entre eles:
- A exigência contratual de 90 dias de aviso prévio, que não teria sido respeitada — a cobrança foi anunciada com cerca de 10 dias;
- Ausência de estudos técnicos públicos que justifiquem o valor da tarifa;
- Falta de transparência em documentos essenciais do contrato;
- Impacto econômico estimado em R$ 173 milhões em prejuízos ao estado;
- Aumento médio de 6% no valor do frete, refletindo diretamente no preço dos alimentos e produtos;
- Risco de até 44% da produção deixar de circular pela BR-364, afetando o abastecimento e a economia regional.
Os efeitos já são sentidos pelo produtor rural, pelo caminhoneiro, pelo comerciante e, sobretudo, pelo consumidor, que começa a perceber a alta de preços no dia a dia.
Entre o discurso e a coragem de enfrentar
Apesar da gravidade do cenário, o contraste político ficou evidente. De um lado, manifestações virtuais, discursos inflamados e indignação calculada. Do outro, um parlamentar que decidiu assumir risco político, jurídico e institucional, colocando seu nome e seu mandato dentro do processo judicial.
Na condição de presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa, Delegado Camargo já tinha a prerrogativa de cobrar explicações. Mas optou por ir além: entrou na ação, fortalecendo juridicamente o pedido de suspensão do pedágio.
“Podem gritar, podem tentar me desqualificar. Mas quem quer mudar algo de verdade precisa ter coragem e enfrentar o sistema. Como político, é meu dever. É isso que estou fazendo por Rondônia”, afirmou.
Um histórico de enfrentamento
Aliados e observadores da cena política estadual destacam que a postura não é isolada. Delegado Camargo construiu sua trajetória política marcada pelo enfrentamento direto a estruturas consolidadas, muitas vezes de forma solitária.
“Eu sei que caminho muitas vezes sozinho, mas já alcancei inúmeras vitórias em áreas abandonadas do Estado, como a segurança pública e a saúde”, relembrou o deputado.
Sociedade civil abriu o caminho
A iniciativa judicial partiu da APROSOJA-RO e da ABIOVE, que decidiram recorrer à Justiça diante das irregularidades apontadas. Delegado Camargo fez questão de reconhecer publicamente o papel das entidades.
“Parabenizo a APROSOJA-RO e a ABIOVE pela coragem de enfrentar essa batalha. Eles abriram o caminho, e agora estou ao lado deles para fortalecer essa luta. Juntos, somos mais fortes”, declarou.
Agora, a palavra é da Justiça
Com o ingresso do deputado no processo, a ação ganha peso político e institucional, ampliando a pressão para que a Justiça Federal analise a legalidade da cobrança e decida se o pedágio pode continuar sendo cobrado nos moldes atuais.
Independentemente do desfecho judicial, um ponto já se tornou claro para a população de Rondônia: falar é fácil, agir tem custo.
E, no caso do pedágio da BR-364, apenas um parlamentar saiu das redes sociais e foi enfrentar o problema onde ele pode ser realmente resolvido: no Judiciário.
Fonte: RO Acontece
