Um episódio grave e cercado de questionamentos dentro do sistema prisional de Cacoal (RO) terminou na morte de um detento e reacende o debate sobre a segurança, o controle interno e a responsabilidade do Estado nas unidades de custódia. O caso ocorreu no pavilhão do regime semiaberto da Casa de Detenção do município e foi registrado em Boletim de Ocorrência da Polícia Civil.
Discussão antecedeu a morte
De acordo com o registro oficial, a ocorrência teve início após uma discussão entre internos que dividiam a mesma cela. Durante o desentendimento, a própria vítima teria feito ameaças diretas, afirmando que iria descarregar uma arma de choque contra o outro detento, o que deu início a uma escalada de violência dentro da unidade prisional.
Uso de dispositivo de choque e agressão física
Segundo a apuração policial, diante da ameaça, o detento Rudmax Carpena se exaltou e entrou em luta corporal com a vítima. Durante o confronto, ele teria agarrado o pescoço do outro interno e efetuado uma descarga elétrica com um dispositivo de choque. Após a agressão, a vítima caiu ao chão e não apresentou mais reação.
Tentativa de reanimação
Ainda conforme o boletim de ocorrência, ao perceber que o companheiro de cela havia perdido os sentidos, o suspeito tentou reanimá-lo. Ele realizou manobras de massagem cardíaca e respiração boca a boca, mas a vítima não reagiu.
Atendimento e confirmação do óbito
O registro policial aponta que o detento agredido entrou em parada cardiorrespiratória. Policiais penais foram acionados imediatamente, prestaram os primeiros atendimentos e solicitaram apoio médico de urgência. No entanto, ao chegarem à cela, constataram que a vítima já não apresentava sinais vitais, com o óbito sendo confirmado antes de qualquer intervenção médica efetiva.
Mesmo após a constatação da morte, o corpo foi encaminhado ao Hospital de Urgência e Emergência de Cacoal (Heuro) para os procedimentos legais.
Autor já cumpre pena por crime grave
Um fator que agrava ainda mais a gravidade do caso é o histórico criminal do autor do homicídio. Rudmax Carpena já cumpre pena pelo crime de sequestro e cárcere privado, o que levanta questionamentos sobre o monitoramento, a convivência entre internos com histórico de violência e os critérios de segurança adotados no regime semiaberto.
Investigação em andamento
A Polícia Civil foi acionada e compareceu à unidade para realizar os procedimentos de praxe, incluindo registros, oitivas e levantamento de possíveis imagens internas que possam ter registrado a dinâmica dos fatos. Conforme o boletim, nenhum objeto foi oficialmente apreendido até o momento.
O diretor da unidade prisional e policiais penais prestaram depoimento. O detento apontado como autor permanece à disposição da Justiça, enquanto o inquérito segue em andamento para esclarecer como um dispositivo de choque teria sido utilizado dentro da cela, além de apurar eventuais falhas de segurança e possíveis responsabilidades do Estado.
Debate sobre mortes sob custódia
A morte dentro de uma unidade prisional, sob responsabilidade do Estado, reforça o debate sobre fiscalização, condições do sistema penitenciário e protocolos de segurança, especialmente em casos que envolvem internos com histórico de crimes graves e comportamento violento.
Fonte: RO Acontece
