A execução de Anthony Lucas Alves Silva, de 29 anos, no bairro Alto Alegre, em Vilhena (RO), ganha contornos ainda mais polêmicos e inquietantes à medida que novas informações vêm à tona. O jovem, assassinado com ao menos 12 disparos de pistola calibre .380, teria relatado à família que vinha recebendo ameaças de morte nos dias que antecederam o crime — supostamente vindas de uma facção criminosa que atua no município.
O assassinato ocorreu por volta das 23h, em frente à casa onde Anthony morava. Mesmo ferido, ele ainda teria tentado escapar, conseguindo entrar no quintal, onde acabou caindo e morrendo. Cápsulas foram encontradas tanto do lado de fora quanto dentro do imóvel, indicando que o atirador — possivelmente com apoio de um comparsa — não deu qualquer chance de defesa à vítima.
Dentro da residência, a polícia encontrou uma motocicleta desmontada, levantando suspeitas sobre a origem do veículo. Pessoas próximas afirmam que Anthony, que trabalhava como repositor de produtos em supermercados, teria trazido a moto “de fora”. Embora exista a possibilidade de o veículo ser produto de furto, não há confirmação oficial de envolvimento da vítima em crimes, e a informação ainda é tratada com cautela pelos investigadores.
A possível motivação: ameaça, facção e vingança
O ponto mais sensível do caso envolve a possível motivação do homicídio. Segundo relatos de familiares, Anthony confidenciou que estava marcado para morrer. As ameaças estariam ligadas a uma facção criminosa, e o motivo seria a gravidez de uma mulher, que teria solicitado uma punição contra o suposto pai da criança.
Se confirmada, a hipótese levanta um cenário alarmante: criminosos atuando como juízes e carrascos, decidindo quem vive ou morre à margem da lei, em plena área urbana. Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou oficialmente essa versão, destacando que todas as linhas de investigação seguem abertas.
Silêncio, medo e violência
Outro dado que chama atenção é o silêncio da vizinhança. Mesmo com os disparos sendo ouvidos, ninguém acionou a Polícia Militar no momento do crime. O corpo só foi encontrado na manhã seguinte, por um amigo que morava com a vítima e havia passado a noite fora. O episódio reforça um clima de medo e intimidação, comum em áreas onde o crime organizado impõe sua própria “lei”.
O caso escancara a escalada da violência armada em Vilhena, o avanço das facções e a vulnerabilidade de jovens que acabam no centro de conflitos que, muitas vezes, terminam de forma brutal.
A Polícia Civil segue investigando o homicídio, buscando confirmar a motivação, identificar os executores e esclarecer se a morte de Anthony foi mais um caso isolado ou parte de uma dinâmica de execuções ligadas ao crime organizado no município.
Fonte: RO ACONTECE
