A sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira foi marcada por um discurso contundente e carregado de tensão política. Da tribuna, o presidente da Casa, vereador Celso Machado, fez duras denúncias sobre a situação do Hospital Regional de Vilhena, apontando perseguição a médicos, demissões, salários atrasados e falta de medicamentos, em um cenário que, segundo ele, compromete diretamente o atendimento à população.
Médico de formação, Celso Machado afirmou que as denúncias não partem de boatos, mas de relatos recorrentes de profissionais da própria unidade. Em tom crítico, ele classificou o momento vivido pela saúde pública municipal como alarmante e cobrou posicionamento dos demais parlamentares e do Executivo.
Hospital segue sob controle do município
Durante o pronunciamento, o presidente da Câmara esclareceu que o Hospital Regional permanecerá sob controle do município por mais seis meses, período necessário para a conclusão de uma nova licitação que irá definir a empresa responsável pela gestão da unidade. Segundo Celso, a atual gestora, o Grupo Chavantes, poderá inclusive disputar novamente o certame, caso atenda aos requisitos legais.
A informação confirma, de forma oficial, que a terceirização da saúde ainda está em fase de transição e que a Prefeitura segue responsável pela fiscalização e pelo funcionamento do hospital durante esse intervalo — o que aumenta a pressão política sobre o governo municipal.
CPI contra quem?
O ponto mais sensível do debate surgiu com a discussão sobre a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Embora vereadores aliados defendam que a investigação tenha como foco exclusivo o Grupo Chavantes, o próprio discurso de Celso Machado deixou claro que os efeitos de uma CPI dificilmente se limitariam à empresa contratada.
Na prática, uma apuração aprofundada pode respigar diretamente na gestão do prefeito Delegado Flori, responsável pela implantação do modelo de terceirização da saúde em Vilhena. Contratos, fiscalização, pagamentos, eventuais atrasos e falhas estruturais inevitavelmente entram no radar de qualquer investigação parlamentar.
“Todo mundo fica quietinho”
Em um dos momentos mais fortes da sessão, Celso Machado enviou um recado direto aos colegas vereadores, cobrando coerência e coragem política diante da crise:
“Todo mundo recebe reclamação, mas todo mundo fica quietinho.”
A frase ecoou no plenário e evidenciou o clima de desconforto entre os parlamentares, muitos dos quais já foram procurados por médicos, servidores e pacientes insatisfeitos com a situação do hospital, mas evitam se posicionar publicamente.
Saúde no centro do embate político
O discurso do presidente da Câmara reacende o debate sobre a terceirização da saúde em Vilhena e expõe um racha político que tende a se aprofundar. De um lado, denúncias graves envolvendo a gestão hospitalar; de outro, a tentativa de limitar responsabilidades apenas à empresa contratada, enquanto o Executivo tenta manter o controle da narrativa.
Com salários atrasados, falta de medicamentos e denúncias de perseguição a profissionais, a saúde pública de Vilhena volta ao epicentro da crise política, e a possível CPI promete elevar ainda mais a temperatura nos próximos dias. A pergunta que fica nos corredores do poder é direta: a investigação vai parar na Chavantes ou chegará ao gabinete do prefeito?
Fonte: RO Acontece
