A Polícia Civil de Rondônia esclareceu, em tempo considerado célere, o homicídio que abalou Cacoal (RO) no último fim de semana e gerou forte comoção social. A vítima, Gilmar, conhecido popularmente como “Beto”, irmão de Rony, da Agropecuária dos Colonos, foi executada a tiros em uma emboscada, descrita pelos investigadores como covarde, premeditada e fria.
Segundo o delegado regional, Dr. Juarez, desde os primeiros momentos da investigação, o principal suspeito já figurava como foco central das diligências. A ausência de qualquer histórico de rixa, desentendimento ou conflito pessoal envolvendo a vítima descartou rapidamente a hipótese de crime ocasional, direcionando os trabalhos para uma linha mais sensível — e recorrente em crimes violentos: a motivação passional.
De acordo com a Polícia Civil, o investigado não aceitava o fim do relacionamento com a ex-esposa, que atualmente mantinha vínculo afetivo com a vítima. Antes do assassinato, ele teria enviado mensagens a terceiros pedindo que Gilmar se afastasse da mulher, além de proferir ameaças diretas, fatos confirmados durante a apuração.
No momento da execução, testemunhas estavam presentes, incluindo a própria mulher que mantinha relacionamento com a vítima. Ela relatou que o autor usava capuz, dificultando o reconhecimento facial, mas afirmou ter plena convicção sobre a identidade do assassino, baseada em características físicas, postura e comportamento.
Outro depoimento considerado crucial foi prestado pelo cunhado da mulher, que também presenciou o crime. Ele declarou que, mesmo sem ver o rosto do executor, reconheceu o suspeito pela compleição física e chegou a gritar durante a ação, numa tentativa desesperada de impedir o assassinato.
Diante de indícios robustos e convergentes, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do investigado, além da expedição de mandados de busca e apreensão. Durante a operação, os agentes conseguiram apreender a arma supostamente utilizada no homicídio, bem como aparelhos celulares, que agora passam por perícia técnica para análise de mensagens, ligações e demais elementos de prova.
Mesmo com um conjunto probatório considerado consistente e comprometedora, o suspeito, acompanhado de advogado, optou por confessar o crime durante interrogatório formal. Em sua versão, alegou estar sendo ameaçado e afirmou que a ex-companheira teria insinuado possíveis represálias após iniciar um novo relacionamento.
A Polícia Civil, no entanto, trata essa narrativa como tentativa de justificar o injustificável. Para os investigadores, os fatos apontam majoritariamente para um crime passional clássico, motivado por ciúmes, sentimento de posse e inconformismo com o término da relação.
O delegado destacou ainda que o suspeito possui vida social aparentemente estruturada, sem antecedentes criminais relevantes, o que, longe de atenuar a gravidade do caso, reforça a tese de que o homicídio foi cometido sob forte impulso emocional, revelando como o machismo, a obsessão e o desejo de controle continuam produzindo tragédias.
Enquanto a Polícia Civil aguarda laudos periciais finais para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário, familiares e amigos de Gilmar seguem consternados, tentando lidar com a dor de uma perda abrupta e violenta.
O caso reacende um debate incômodo, porém necessário: quantas vidas ainda serão interrompidas pela incapacidade de aceitar o fim de um relacionamento? Em Cacoal, mais uma família chora — e a sociedade, mais uma vez, é obrigada a refletir sobre os limites da paixão quando ela se transforma em ódio.
Fonte: RO Acontece
