Mais uma tragédia registrada na BR-364 expõe, de forma cruel, o abandono de uma das rodovias mais importantes e perigosas de Rondônia. Na tarde deste domingo (25), um grave acidente nas proximidades do distrito do Riozinho, em Cacoal (RO), resultou na morte de Arvelino de Souza Rosa, de 46 anos, reforçando o triste título que a estrada carrega há anos: “rodovia da morte”.
Arvelino conduzia uma motocicleta no sentido Cacoal, tendo a esposa como passageira, quando colidiu na traseira de um veículo Fiat Uno, conduzido pelo próprio cunhado. Com a força do impacto, o casal foi arremessado para a pista e acabou caindo sob uma carreta que trafegava pelo local. O motociclista foi atingido e morreu ainda no local, antes de qualquer possibilidade de socorro.
A esposa da vítima foi resgatada em estado grave por uma equipe da concessionária Nova 364 e encaminhada ao Hospital de Urgência e Emergência Regional de Cacoal (Heuro). Segundo relatos de testemunhas, o casal mora no município de Alvorada do Oeste e retornava de viagem quando a fatalidade aconteceu.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) esteve no local para o registro da ocorrência, enquanto a Polícia Técnico-Científica (Politec) realizou a perícia que deverá apontar as circunstâncias exatas do acidente. Após os trabalhos periciais, o corpo de Arvelino foi recolhido pela Funerária Pax Nacional para os procedimentos funerários.
A tragédia que se repete
O que mais revolta a população é que essa não é uma ocorrência isolada. Acidentes graves e mortes se acumulam ao longo da BR-364, uma rodovia marcada por buracos, falta de duplicação, sinalização precária e trechos extremamente perigosos, especialmente na região de Cacoal. Ainda assim, o governo federal segue arrecadando valores milionários com pedágios e concessões, enquanto pouco se vê de investimentos concretos em infraestrutura e segurança viária.
Motoristas denunciam que trafegar pela BR-364 é um verdadeiro teste de sobrevivência. Buracos profundos, desníveis, falta de acostamento e ausência de obras estruturais transformaram a estrada em uma armadilha diária para quem depende dela para trabalhar, viajar ou simplesmente voltar para casa.
Lucro de um lado, luto do outro
Enquanto famílias choram seus mortos, o poder público parece distante da realidade de quem vive às margens da rodovia. A cada nova vítima, cresce o sentimento de indignação e abandono. Para muitos rondonienses, o cenário é claro: o governo federal ganha um rio de dinheiro, enquanto a população paga com a própria vida.
A morte de Arvelino de Souza Rosa se soma a uma longa lista de vítimas da negligência e da falta de investimentos efetivos. Até quando Rondônia continuará enterrando seus filhos à beira da BR-364? Quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que a duplicação, a recuperação asfáltica e a segurança viária deixem de ser apenas promessas?
As causas do acidente seguem sendo investigadas, mas a causa maior, segundo quem trafega diariamente pela rodovia, é conhecida de todos: o descaso.
Fonte: RO Acontece
