Apontado como a “sensação do momento” para quem busca emagrecimento rápido, o medicamento Mounjaro, desenvolvido originalmente para o tratamento da diabetes, entrou definitivamente no radar das autoridades brasileiras. A crescente procura pelo produto, impulsionada por promessas de perda de peso acelerada, abriu espaço para um mercado paralelo, alimentado principalmente por medicamentos contrabandeados do Paraguai — muitos deles sem qualquer garantia de origem, qualidade ou segurança.
Diante desse cenário, a Polícia Federal deflagrou, na última quarta-feira (4), a Operação Peso Falso, com o objetivo de desmantelar um esquema criminoso de importação ilegal do Mounjaro, além de apurar possíveis infrações à legislação sanitária. A ação incluiu o cumprimento de mandado de busca e apreensão em Cuiabá (MT).
Apreensão na BR-364 deu início às investigações
Segundo informações oficiais, as investigações tiveram início em novembro de 2025, após a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreender uma grande quantidade de produtos proibidos vindos do Paraguai. Entre os itens estavam canetas emagrecedoras tipo Mounjaro, além de anabolizantes.
A apreensão ocorreu na BR-364, no quilômetro 387, já no perímetro urbano de Cuiabá, durante a abordagem a um veículo ocupado por um casal. Durante a vistoria, os agentes encontraram diversos medicamentos de origem irregular. Os envolvidos e a carga ilegal foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, que adotou as medidas legais cabíveis.
A partir daí, a PF aprofundou as investigações para identificar os financiadores e distribuidores do esquema, que se aproveita do preço mais baixo do Mounjaro paraguaio em relação ao produto comercializado legalmente no Brasil.
Alerta em Rondônia: venda clandestina também preocupa em Cacoal
Embora a operação tenha ocorrido em Mato Grosso, o problema está longe de ser isolado. Em Cacoal (RO), há relatos recorrentes e denúncias sobre a venda clandestina desse tipo de medicamento, feita principalmente por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e comércio informal. O mais grave: ninguém sabe a procedência real dessas “canetinhas”, nem se o conteúdo corresponde de fato ao medicamento original.
Fontes ligadas à área da saúde alertam que esses produtos podem ser falsificados, armazenados de forma inadequada ou até adulterados, representando um risco sério à saúde pública. Ainda assim, a comercialização segue acontecendo de forma aberta, sem prescrição médica, sem nota fiscal e sem fiscalização efetiva.
Risco à saúde e crime federal
A Polícia Federal reforça que a importação e comercialização ilegal de medicamentos configuram crime, podendo envolver contrabando, descaminho e infrações sanitárias, além de colocar em risco a vida de quem utiliza substâncias sem qualquer controle.
Especialistas lembram que medicamentos como o Mounjaro exigem acompanhamento médico, avaliação clínica e prescrição adequada. O uso indiscriminado, especialmente de produtos de origem desconhecida, pode causar efeitos colaterais graves, complicações metabólicas e até morte.
Enquanto operações como a Peso Falso avançam no combate ao crime organizado, a realidade nas ruas — inclusive em cidades como Cacoal — expõe uma pergunta incômoda: quantas pessoas estão colocando a própria saúde em risco em troca de um “atalho” para emagrecer, comprado de quem ninguém sabe quem é?
Fonte: RO Acontece/ Com informações do site Folha do Sul Online
