A concessionária Nova 364 voltou ao centro de uma polêmica que cresce a cada dia em Rondônia. Na tarde desta sexta-feira (23), o vereador de Ariquemes, Lucas Follador, usou suas redes sociais para denunciar o que classificou como um verdadeiro descaso com a população, envolvendo a cobrança de pedágio na BR-364 — rodovia que, segundo ele e inúmeros usuários, não oferece condições mínimas para justificar os valores cobrados.
A crítica é direta e contundente: a chamada “Nova 364” estaria operando, na prática, como a “velha 364”, cobrando caro por uma estrada inacabada, sem duplicação, com gargalos históricos e obras arrastadas há anos, como é o caso da ponte citada no vídeo divulgado pelo parlamentar.
Cobrança absurda, serviço inexistente
No vídeo, Follador relata uma situação vivida durante um deslocamento familiar, marcado por atrasos provocados por acidentes, trechos sem duplicação e falta de estrutura viária. Ainda assim, o pedágio foi cobrado normalmente — e com valores considerados surreais para o padrão da rodovia.
A denúncia, no entanto, vai além da precariedade da estrada. Caminhoneiros e usuários da BR-364 relataram falhas graves no sistema de cobrança, com indícios de cobrança indevida e até duplicada, levantando sérias dúvidas sobre a confiabilidade do modelo adotado pela concessionária.
Um dos casos mais alarmantes envolve o caminhoneiro Adenilson, que afirmou ter sido cobrado R$ 190,65 às 15h04min25s do dia 22 de janeiro de 2026, na praça de pedágio de Ouro Preto do Oeste, mesmo estando fisicamente em um posto de combustível próximo a Porto Velho, o Posto Bodanese, em Candeias do Jamari, no mesmo horário.
Segundo o relato, além desse valor elevado, houve ainda uma segunda cobrança de R$ 17,00 na mesma praça, registrada no aplicativo de pagamento, sem que o veículo tivesse passado pelo local naquele momento.
“Eu estava parado no posto, abri o aplicativo e apareceu a cobrança como se eu tivesse passado em Ouro Preto do Oeste. Isso aconteceu mais de uma vez. Estão cobrando viagens que eu não fiz”, relatou o caminhoneiro.
Eixos levantados e cobrança como se estivesse carregado
Outras denúncias apontam que caminhões vazios, com eixos levantados, estariam sendo cobrados como se estivessem totalmente carregados, o que amplia ainda mais o prejuízo aos transportadores e, consequentemente, ao consumidor final.
Do ponto de vista técnico e contratual, esse tipo de prática fere princípios básicos da concessão rodoviária e pode configurar falha grave na prestação do serviço, além de possível dano ao consumidor, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Onde está a fiscalização?
A cobrança de pedágio teve início sem a conclusão das obras previstas, fato que já é questionado oficialmente em ações judiciais que tramitam na Justiça Federal, inclusive com a participação de entidades representativas como a APROSOJA-RO e a ABIOVE, além de parlamentares estaduais.
O que causa maior indignação popular é que, mesmo diante de denúncias públicas, relatos documentados e vídeos amplamente divulgados, nenhuma resposta efetiva foi apresentada até o momento pelos órgãos responsáveis pela fiscalização, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que regula concessões federais.
“Se quem deveria fiscalizar não age, nós vamos pressionar, denunciar e buscar todos os caminhos possíveis”, afirmou o vereador Lucas Follador.
Um sistema que penaliza quem produz e quem consome
O impacto vai muito além de casos isolados. O aumento do custo logístico já se reflete diretamente no frete, no preço dos alimentos, no transporte de insumos e no cotidiano de quem depende da BR-364 para trabalhar, produzir ou acessar serviços essenciais, como saúde.
Cobrar pedágio sem estrada pronta, sem transparência, com falhas no sistema e indícios de cobranças indevidas não é modernização — é desserviço público.
A conta não fecha — e quem paga é o povo
Enquanto a concessionária arrecada, o cidadão enfrenta buracos, filas, atrasos, pontes inacabadas e agora também erros de cobrança. A pergunta que ecoa nas redes sociais, nas estradas e nos gabinetes é simples:
👉 Como cobrar por um serviço que claramente não está sendo entregue?
A sociedade cobra respostas. E mais do que isso, cobra providências urgentes, porque pedágio não pode ser sinônimo de abuso, e concessão não pode significar abandono disfarçado de modernização.
Veja o vídeo feito pelo vereador Lucas Follador de Ariquemes:
Fonte: RO Acontece
