A novela dos pedágios na BR-364, em Rondônia, tem autor, sobrenome e padrinho político. Ou melhor, um verdadeiro paizão: o senador rondoniense Confúcio Moura (MDB). A concessão da rodovia foi oficializada em março de 2025 e, desde então, o estado passou a viver uma nova — e mais cara — fase de sua infraestrutura rodoviária. Desde a última segunda-feira, 12 de janeiro, os pedágios começaram a operar, aprofundando o custo de vida em um país já sufocado por impostos, taxas e encargos de toda ordem.
O leilão da BR-364, no trecho entre Vilhena e Porto Velho (Candeias do Jamari), realizado há quase um ano, escancarou algo que muitos já apontavam nos bastidores: o isolamento político de Confúcio Moura dentro da própria bancada federal de Rondônia. Filiado ao MDB e aliado fiel do governo do presidente Lula, o senador foi, curiosamente, o único representante rondoniense no Congresso Nacional a celebrar publicamente a concessão nos moldes definidos pelo Ministério dos Transportes — pasta, não por acaso, comandada também pelo MDB.
Enquanto deputados federais e senadores de Rondônia se posicionaram de forma crítica contra os altos valores dos pedágios e os benefícios limitados do contrato, Confúcio manteve o silêncio que lhe é habitual. Silêncio este que se tornou ainda mais ensurdecedor diante de um dado incontestável: apenas cerca de 17% da rodovia será duplicada, mesmo com a cobrança integral de tarifas ao longo do trecho concedido.
Confúcio não apenas apoiou a concessão. Ele esteve presente, de corpo e alma, no pregão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, onde o martelo foi batido e selou mais um custo permanente para quem vive, trabalha, produz, vende e compra em Rondônia. Um custo que recai diretamente sobre caminhoneiros, produtores rurais, comerciantes e consumidores finais.
Em diversas publicações nas redes sociais e em declarações oficiais ao longo de 2025, o senador fez questão de exaltar o leilão, tratando o evento como um marco histórico para o estado e reafirmando sua confiança irrestrita nos investimentos privados. Durante o próprio leilão, Confúcio chegou a minimizar as críticas feitas por colegas de bancada.
“Hoje pode ter divergências, o que é natural. Mas no decorrer do tempo, nós vamos esquecer essas divergências e vamos já pensar em outros investimentos de futuro”, afirmou o senador, em uma fala que contrasta diretamente com a indignação manifestada por parlamentares que alertaram para o impacto econômico dos pedágios e para a execução limitada das obras previstas.
Nas redes sociais, o tom foi ainda mais entusiasmado. Confúcio exaltou o papel do pedágio na vida dos rondonienses e celebrou a parceria com o governo federal. “Vamos juntos transformar essa rodovia em um símbolo de progresso e segurança!”, escreveu, acompanhado de hashtags que enaltecem o governo Lula e o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Para muitos rondonienses, no entanto, o “símbolo de progresso” começa, na prática, como um símbolo de mais um peso no orçamento. E, ao que tudo indica, essa conta tem nome, sobrenome e assinatura política.
Fonte: RO Acontece
